16 de maio de 2004

General 5 Estrelas

Era um general metido a mandão. Já ocupava mais tempo na reserva que atacante com fissura no joelho. Mesmo assim não perdia a pose, continuava mandão. Diziam que, naqueles tempos de ato institucional, era mais rígido que mastro de bandeira. Fosse vermelha, então, nem se fale. Como sentia falta da dileta tropa, caia de pau na turma do lar. Da patroa aos serviçais, incluindo filhos e mascotes, era uma ordem danada. Não dava folga. Era linha dura até o último carretel. Mais chato que o general, só telefonema de telemarketing. Acontece que quer a vida, a revelia dos candidatos a calvice galopante, que o tempo passe. Nada como um dia depois do outro para a gente perceber que os filhos crescem, os empregados aposentam e a patroa se divorcia. Sem mais nem menos, se viu o general em uma situação inusitada: estava mais abandonado do que regime de baixas calorias. Numa última tentativa tentou ralhar com o cachorro, que fugiu com o segurança da rua, alegando preferir tornar-se cão-de-guarda a cão-de-general. Era o fim. Por bem menos muito otimista se converteria a depressivo. O que fazer? Deve-se buscar aquela força-aérea, como diziam no segundo exército. Nada de deserção. Haveria de superar. Não desistiria. Experiente no mando, como ele, haviam poucos. Tratou de se aprumar. Encontraria um cargo a sua altura - sem saber que altura nunca foi requisito de currículo, salvo vaga para anão de circo - Como andava meio alheio a situação, ouviu mais não do que vendedor de enciclopédia Britânica. Ficou arrasado. Percebeu que quase todos estavam na pior. Soube, aliás, de um único general americano que estava se dando bem por aí. Mas quando tentou ler a biografia do tal fulano, constatou tratar-se de um certo General Eletric. Foi um choque. Desta vez testemunhou sua total inabilidade. Convenceu-se inapto. Mas como não estamos aqui para escarafunchar a vida alheia e deixar por isso mesmo (até porque acreditamos que sempre há uma luz no fim do túnel - por mais superfaturado que ele possa parecer), outro dia, folheando o caderno de classificados, deparou, o militar, com um anuncio que passaria despercebido, não fosse ele, agora, um perito pesquisador de empregos: - General Cinco Estrelas: precisa-se para período integral -. Lá foi o general com R.G. e certificado militar, sonhando com os velhos tempos do bate e manda. Pelo endereço desembarcou numa instituição musical. Na recepção ficou sabendo que o cargo, de fato, era para general de carreira. Pediam as estrelas por pedir. Como regente contratado, teria de tomar pulso firme diante de um desregrado grupo musical que insistia em permanecer fora do compasso. Aceitou sem ressalvas. Pois é... general manda-chuva em tempos menos rudes, só mesmo para posar de general-da-banda. "E presta atenção no Si Bemol Maior, oh comunista!" ...
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